quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Covid-19: UFMG já recebeu 19 mil cadastros de voluntários para testes de vacina



Ainda não há data definida para o início das aplicações das doses da candidata vacinal da Johnson & Johnson, mas a expectativa é de que isso ocorra em breve
Por RAFAELA MANSUR
07/10/20 - 15h32
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Foto: Koki Kataoka / Reuters / Agência Brasil


A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) já recebeu cerca de 19 mil cadastros de pessoas interessadas em participar dos testes da candidata vacinal contra o coronavírus da Johnson & Johnson. Ainda não há data definida para o início das aplicações das doses, mas a expectativa é de que isso ocorra em breve. A instituição tem um potencial para a realização de testes em cerca de 2.000 pessoas.


Os voluntários inscritos serão selecionados com base em uma série de critérios. A prioridade são pessoas que atuem na linha de frente e sejam mais expostas ao vírus, como motoristas de ônibus e balconistas, de raças e gêneros diversos. Cerca de 30% dos participantes devem ser idosos.

De acordo com a infectologista e professora da Faculdade de Medicina, Júlia Caporali, coordenadora clínica da pesquisa, a estrutura para a realização do ensaio já foi montada. Os participantes vão receber o produto no Hospital das Clínicas e devem retornar ao local após um mês para uma coleta de exames. Depois, haverá vistas aos voluntários a cada seis meses até o término dos estudos.

Saiba como ser voluntário da vacina contra a Covid-19 que será testada na UFMG

Os testes serão divididos em etapas e grupos de voluntários. Inicialmente, a vacina será testada em pessoas sem patologias prévias, em grupos com menos e mais de 60 anos. Depois que a segurança do produto for constatada, haverá uma segunda fase com pessoas da mesma faixa etária — grupos de 18 a 60 anos e acima de 60 anos —, mas com alguma morbidade, como obesidade, problemas cardíacos e hipertensão arterial. A previsão é de que os participantes sejam observados por um total de 24 meses.

“Nós temos que seguir os preceitos básicos ditados pela ciência. É evidente que tem algumas liberações de vacinas em caráter emergencial para populações específicas, mas, para a população inteira, esse é um cenário realista. Pode ser que seja abreviado, todos nós torcemos para isso”, afirma o professor e pesquisador responsável, Jorge Pinto. “Não podemos correr o risco de induzir doença ou dano em uma população previamente sadia”, explica.

Segundo o professor, a ideia é que metade dos participantes receba placebo, e a outra metade receba a vacina. Como o estudo é duplo-cego, nem os voluntários nem os pesquisadores saberão o que ficou com cada um.

A vacina, chamada Ad26.COV2.S, utiliza como vetor um adenovírus humano, sem capacidade de replicação, no qual é inserido o material genético do SARS-CoV-2. Resultados preliminares e parciais, referentes às fases 1 e 2, apontam que o imunizante é seguro e capaz de induzir resposta imune após uma única aplicação.

De acordo com Pinto, o objetivo é que a vacina atenue ou modifique a doença, de forma a reduzir a gravidade das infecções e, consequentemente, a necessidade de internações e o número de óbitos.

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