Valor disponibilizado pelo governo passou de R$ 600 para R$ 300 e muitos beneficiários dizem que vão precisar se desdobrar para o consumo básico
07/11/20 - 13h25
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Beneficiários do auxílio emergencial estendido dizem que pagar as contas com R$ 300 vai ser tarefa árdua
Foto: Uarlen Valério
O auxílio emergencial durante a pandemia, que garantiu o sustento de muitas famílias ou pelo menos garantiu parte do orçamento, agora passa a ser pago com valor reduzido. Com o novo valor, quem já se desdobrava para garantir as contas pagas e o prato cheio tem que repensar o futuro.
Neste sábado (7), a Caixa abriu 772 agências em todo Brasil para quem precisou de ajuda para receber o auxílio emergencial estendido. O comentário de muitos beneficiários que saíam de uma dessas unidades bancárias no centro de Belo Horizonte era unânime: se estava difícil com R$ 600, com R$ 300 a situação piora.
Sem trabalho desde o início da pandemia, o pedreiro Nelson Teodoro da Silva, de 61 anos, tinha no auxílio emergencial uma forma de manter as contas em dia. Com a redução do valor, ele prevê que alguns desses boletos vão acabar sendo parcelados. "Água e luz eu nunca atraso, só que as outras contas eu vou ter que dividir agora. Comida é que não pode faltar", diz o beneficiário.
Se na casa de Nelson a comida não falta mesmo com o valor do auxílio emergencial mais baixo, a situação do reciclador José Leôncio da Silva, de 57 anos, é bem diferente. Logo na saída da agência da Caixa, no centro de BH, onde ele foi receber a parcela do auxílio já reduzida, ele disse que com o novo valor ele passa a contar apenas com um milagre para ter o que comer em casa. "O aluguel eu não posso deixar de pagar. Agora, comida em casa eu vou ter que viver é de doação, se vier. Com essa redução, vai ter é que acontecer um milagre na minha vida", disse o reciclador.
Também na porta do banco depois de receber o benefício estendido, a entregadora Marcelly Kelly Firmino, de 27 anos, diz que para conseguir sustentar as duas filhas, de 2 e 3 anos, ela vai ter que se desdobrar nas entregas.
Apesar de dividir as contas com a companheira, que também recebe o auxílio emergencial, Marcelly agora refaz os planos do orçamento doméstico. "Fiquei sem emprego durante a pandemia e esse auxílio ajudou muito. Com o dinheiro (do auxílio) e as entregas que faço de bicicleta, pago aluguel, àgua, luz e compro algumas coisas para as crianças. Agora, com esses R$ 300, eu vou ter que correr atrás mais ainda", desabafou.
A desempregada Tamara Vitória, de 18 anos, tem o privilégio de não pagar aluguel. Com o auxílio, ela e o marido dividiam as contas em casa. Com a redução do auxílio emergencial, ela já planeja alguns cortes no orçamento. "Vou ter que deixar de comprar itens de higiene pessoal porque já estava bem apertado depois que fiquei sem emprego. Até eu conseguir outro trabalho, meu marido vai ter que assumir as despesas", disse.
O valor do auxílio emergencial extensão pode ser movimentado pelo aplicativo da “Caixa Tem” e pode ser usado para pagamentos no aplicativo, nas casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui. Os beneficiários também podem fazer compras pela internet com os R$ 300 ou usar o valor em máquinas de cartão disponíveis em estabelecimentos comerciais.
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